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Você Não é Menos Capaz: A Verdade Sobre Jovens Sem Diploma e o Mercado de Trabalho

CD
Consultoria de Carreira Equipe Editorial
12 min de leitura
Você Não é Menos Capaz: A Verdade Sobre Jovens Sem Diploma e o Mercado de Trabalho

Você não está sozinho. E mais importante: você não é menos capaz.

Os Números Que Ninguém Te Conta (Mas Deveria)

No Brasil, 5,2 milhões de jovens entre 14 e 24 anos estão desempregados, representando mais da metade de todos os desempregados do país. Entre os jovens ocupados e desocupados, 23% das mulheres e 37% dos homens não tinham concluído o ensino médio.

Mas aqui está a parte que raramente aparece nas manchetes: 9,2 milhões de jovens estão fora da escola sem concluir a educação básica. Isso significa que quase um em cada cinco jovens brasileiros está na mesma situação que você.

Não é porque vocês são burros, preguiçosos ou incapazes. A realidade é muito mais complexa e injusta do que isso.

Por Que Você Realmente Saiu da Escola

Existe uma narrativa cruel que a sociedade adora repetir: "quem quer, consegue". Como se bastasse força de vontade para superar tudo. Mas os dados contam uma história diferente.

Entre os principais motivos para jovens não ingressarem ou abandonarem os estudos, homens destacam que precisam trabalhar, enquanto mulheres destacam que precisam cuidar dos afazeres domésticos.

Pense nisso como tentar correr uma maratona, mas você começa 10 quilômetros atrás da linha de partida, carregando uma mochila pesada, enquanto outros correm sem peso algum. Quando você para para descansar, as pessoas não veem a mochila - elas só veem que você "desistiu".

Do total de jovens que não estudam e não estão ocupados, 61,2% eram pobres. Isso não é coincidência. É estrutural.

O Custo Invisível de Não Ter o Diploma

Vamos ser honestos sobre o que está em jogo aqui. Não é sobre um pedaço de papel. É sobre o que esse papel representa no mercado de trabalho brasileiro.

  • Trabalhadores com ensino superior completo ganham 126% a mais do que pessoas com ensino médio ou superior incompleto.
  • Entre ensino médio completo e incompleto? A média salarial dos jovens com nível médio completo é 7,5% maior comparativamente à dos jovens que não concluíram o ensino médio.

Pode parecer pouco, mas ao longo de uma vida de trabalho, essa diferença se multiplica. É a diferença entre ter uma emergência financeira virar uma crise ou apenas um inconveniente. É a diferença entre poder sonhar com uma casa própria ou aceitar que talvez nunca seja possível.

Mas aqui está a parte importante: isso não é sobre você ser menos inteligente ou menos trabalhador. É sobre um sistema que usa diplomas como portões, não como indicadores reais de capacidade.

A Armadilha Psicológica (E Como Ela Está Te Sabotando)

Há algo que acontece quando você não tem o diploma que "deveria" ter. É sutil, mas devastador.

"Um tempo muito prolongado na situação de desemprego pode afetar a autoestima, aumentando o sentimento de solidão e fracasso, propiciando o desenvolvimento de distúrbios emocionais."

Jovens sem emprego e sem estudar apresentam maiores dificuldades em relação à autoestima e à autoconfiança.

É como um ciclo vicioso que funciona assim: você não consegue emprego porque não tem diploma → sem emprego, você se sente menos capaz → sentindo-se menos capaz, você tem menos energia para voltar a estudar → sem estudar, você continua sem diploma.

E o círculo continua.

Mas aqui está a verdade que ninguém te disse: esse ciclo pode ser quebrado. E não precisa ser quebrado de uma vez. Pequenas rachaduras já são vitórias.

O Que o Mercado Realmente Quer (Spoiler: Não é Só o Diploma)

Empresas dizem que querem diplomas. O que elas realmente querem são pessoas que possam fazer o trabalho. O diploma é apenas um atalho mental que recrutadores usam para filtrar candidatos.

Pense no diploma como um passaporte. Facilita a entrada? Sim. Mas não é o único documento aceito, e há outros caminhos.

Concluir a EJA aumenta a chance de formalização e eleva a renda, com ganhos ainda mais significativos para os jovens. Ou seja: retomar os estudos funciona. Não é ilusão. É estatística.

  • 64% dos brasileiros entre 25 e 34 anos que não concluíram o ensino médio estão empregados.
  • Essa taxa sobe para 75% entre os que completaram essa etapa educacional.

São 11 pontos percentuais de diferença. Isso pode não parecer muito em termos estatísticos, mas em termos práticos, é a diferença entre ter ou não ter uma chance real de competir por melhores vagas.

A Realidade da Informalidade (E Por Que Você Está Preso Nela)

Dentre os jovens ocupados, 45% estavam na informalidade, o que corresponde a 6,3 milhões de indivíduos.

A informalidade é como areia movediça: parece solo firme no começo, mas quanto mais tempo você passa nela, mais difícil fica sair. Sem carteira assinada, você não tem:

  • FGTS acumulando (aquele dinheiro que poderia ser entrada de um financiamento)
  • Férias remuneradas (então nunca realmente descansa)
  • 13º salário (aquele extra no fim do ano que ajuda com despesas maiores)
  • Aposentadoria contribuindo (seu futuro ficando cada vez mais incerto)
  • Estabilidade (pode ser dispensado de um dia para o outro sem aviso)

Quase 60% dos jovens de 19 a 29 anos que não concluíram o ensino médio e não estudam estão na informalidade.

Não é porque você escolheu a informalidade. É porque a informalidade é o que sobra quando você não tem o mínimo de credenciais que o mercado formal exige.

O Peso Que Ninguém Vê

Existe um custo emocional em ser jovem sem diploma que raramente é discutido abertamente.

É o constrangimento quando alguém pergunta "qual faculdade você faz?" e você precisa desviar o assunto. É a vergonha de admitir que não terminou nem o ensino médio. É o medo de que as pessoas descubram e te julguem.

"A situação de desemprego pode afetar o psiquismo dos jovens, porque aqueles que já estão fora do mercado de trabalho há muito tempo se desencorajam mais facilmente, demonstram pessimismo e dificuldade para se recolocar."

A falta de experiência natural é vivida como uma deficiência, gerando ansiedade generalizada, crises de pânico e até burnout.

Você carrega isso sozinho porque acha que é o único. Mas a verdade é que milhões de jovens brasileiros estão carregando o mesmo peso. Vocês não são exceções. Vocês são a regra em um país desigual.

Por Que Voltar a Estudar Parece Impossível (E Como Essa Percepção Te Engana)

  • "Eu sou muito velho para voltar a estudar."
  • "Não consigo aprender como antes."
  • "Vou ser o único adulto em uma sala de adolescentes."
  • "Não tenho tempo com meu trabalho."
  • "Não tenho dinheiro para pagar escola."

Cada uma dessas frases soa razoável. Cada uma é um tijolo no muro que você construiu entre você e a educação. Mas vamos examinar cada tijolo:

"Sou muito velho"

Dados do Encceja 2023 revelam que o exame continua sendo buscado majoritariamente por jovens, especialmente para a certificação do ensino médio. Você não está sozinho. E a neurociência já provou que o cérebro continua aprendendo em qualquer idade.

"Não consigo aprender"

Você aprendeu a usar aplicativos complexos, entender memes com várias camadas de referências, navegar redes sociais em constante mudança. Você aprende todos os dias. O problema não é capacidade - é confiança.

"Vou ser o único adulto"

Modalidades como EJA EAD foram criadas especificamente para adultos que trabalham. Você não vai dividir sala com adolescentes de 15 anos. Você vai estudar com pessoas que estão na mesma situação que você.

"Não tenho tempo"

Para aumentar a inserção produtiva do jovem no mercado de trabalho, é preciso elevar a escolaridade desse público, ampliar sua formação técnica e tecnológica. Não é luxo - é necessidade. E a educação a distância permite estudar nos intervalos que você já tem, não que você precisa criar.

"Não tenho dinheiro"

Muitas modalidades de ensino público para jovens e adultos são gratuitas. O custo de não estudar (salários menores por décadas) é infinitamente maior que o custo de estudar.

A Matemática Cruel (Mas Que Pode Ser Revertida)

Vamos fazer um exercício realista. Nada de promessas milagrosas, apenas números.

Digamos que você ganha R$ 1.500 por mês em um trabalho informal. Sem carteira, sem benefícios, sem estabilidade.

Se você concluísse o ensino médio, suas chances de conseguir emprego formal aumentariam significativamente. A média salarial dos jovens com nível médio completo é superior à dos jovens que não concluíram o ensino médio.

Suponha um aumento modesto para R$ 1.700 mensais (formal, com carteira assinada). Parece pouco, certo?

Mas agora some:

  • 13º salário: mais R$ 1.700 por ano
  • FGTS (8%): R$ 136 por mês acumulando
  • Férias remuneradas: 1/3 a mais = R$ 567 extras por ano
  • Estabilidade: menos períodos sem renda

Ao longo de 10 anos, a diferença não é de R$ 200 por mês. É de dezenas de milhares de reais em renda acumulada, segurança e oportunidades.

Isso sem contar que, no Brasil, ter um diploma de ensino superior aumenta as chances de ter emprego e proporciona salários que chegam a mais que o dobro daqueles que têm formação até o ensino médio.

O Que Está Realmente Em Jogo

Não é só dinheiro. Embora dinheiro seja importante quando você precisa comer, pagar aluguel e sobreviver.

É sobre dignidade.

É sobre não precisar mentir em entrevistas. É sobre poder olhar nos olhos de alguém quando perguntam sua escolaridade. É sobre seus filhos (se você tiver ou planeja ter) verem você como exemplo de que é possível recomeçar.

É sobre possibilidades.

É sobre poder se candidatar àquela vaga que você sabe que faria bem. É sobre ter opções além de aceitar qualquer coisa que aparecer. É sobre construir um futuro, não apenas sobreviver o presente.

É sobre autoestima.

É sobre se sentir completo. Sobre provar para si mesmo que você é capaz. Sobre carregar a cabeça mais alta.

O Primeiro Passo Não Precisa Ser Gigante

Você não precisa se matricular amanhã em um curso de 3 anos. Você não precisa ter tudo planejado.

O primeiro passo pode ser minúsculo:

  1. Pesquisar sobre EJA EAD em seu estado
  2. Assistir uma videoaula no YouTube sobre algo que você não entende
  3. Conversar com alguém que voltou a estudar depois de adulto
  4. Calcular quanto tempo livre você realmente tem por semana
  5. Simplesmente acreditar que você pode

Pense em voltar a estudar como aprender a nadar. Você não pula direto na parte funda. Você começa na rasa, coloca os pés na água, se acostuma com a temperatura. Depois de um tempo, você percebe que está nadando.

A Verdade Que as Estatísticas Não Capturam

Entre os jovens sem o ensino médio completo, a taxa de desemprego foi de 18,6%, enquanto para aqueles com ensino superior foi de 6,8%.

Mas números não capturam o que realmente acontece na vida de uma pessoa quando ela conquista algo que parecia impossível.

Não capturam o orgulho. A sensação de "eu consegui". A forma como você passa a se ver diferente. Como você começa a acreditar que outras coisas "impossíveis" talvez sejam possíveis também.

Estatísticas não mostram o alívio de finalmente poder preencher formulários sem mentir. Ou a emoção de receber o certificado. Ou como sua família reage. Ou a porta que se abre para um emprego melhor.

Para Onde Você Vai Daqui?

Você tem três opções:

  1. Opção 1: Continuar como está. Daqui a cinco anos, você terá cinco anos a mais e estará na mesma situação. Ou pior, porque o mercado vai ficar mais competitivo, mais automatizado, mais exigente. A areia movediça da informalidade vai estar mais funda.
  2. Opção 2: Tentar mudar tudo de uma vez. Se matricular em tudo, tentar fazer rápido demais, se sobrecarregar, desistir, confirmar para si mesmo que "eu não consigo mesmo". Esse caminho leva de volta à Opção 1, mas com mais cicatrizes.
  3. Opção 3: Começar pequeno, mas começar. Dar um passo. Só um. Ver que você não morreu. Dar outro passo. Construir momentum gradualmente. Aceitar que vai ser difícil, mas não impossível. Entender que lento ainda é movimento.

A Pergunta Que Realmente Importa

Não é "por que você não terminou os estudos?"

É: "o que te impede de começar agora?"

  • Se a resposta é "tempo" - EJA EAD foi feita para quem trabalha.
  • Se é "dinheiro" - há opções públicas gratuitas.
  • Se é "capacidade" - milhões de pessoas na sua situação conseguiram.
  • Se é "vergonha" - ninguém precisa saber até você estar pronto para contar.
  • Se é "medo de fracassar" - fracassar é não tentar.

O Que Você Precisa Ouvir

Você não é burro. Você não é incapaz. Você não é preguiçoso.

Você é um jovem brasileiro tentando sobreviver em um país brutalmente desigual, onde 49,3% dos jovens das famílias mais pobres não estudam nem trabalham, enquanto apenas 7,1% dos 10% mais ricos estão nessa situação.

O sistema falhou com você. Não o contrário.

Mas aqui está a parte complicada: mesmo que o sistema seja injusto, mesmo que você não devesse ter que fazer isso sozinho, a realidade é que ninguém vai fazer por você.

Você precisa ser injustamente forte. Você precisa nadar contra uma corrente que não deveria existir. Você precisa fazer o que não é justo ter que fazer.

Mas você pode.

E quando você conseguir - não se, mas quando - será uma das conquistas mais significativas da sua vida. Porque diferente de quem teve tudo facilitado, você vai ter conquistado contra as probabilidades.

A Última Coisa

Se você chegou até aqui neste texto, já provou algo importante: você tem capacidade de foco, você se importa com seu futuro, você está disposto a buscar informação.

Essas são exatamente as qualidades necessárias para estudar. Você já as tem.

O diploma não vai te tornar inteligente. Você já é inteligente.

O diploma vai reconhecer algo que já existe. E vai abrir portas que deveriam estar abertas, mas que a sociedade trancou usando a educação como chave.

Daqui a dois anos, você vai estar dois anos mais velho de qualquer forma. A única diferença é se você vai estar dois anos mais velho com ou sem o diploma que pode mudar sua trajetória.

A escolha, por mais injusta que seja ter que fazê-la, é sua.

Mas você não precisa fazê-la sozinho. Milhões de brasileiros estão no mesmo barco. E muitos deles já começaram a remar.

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